No sétimo capítulo de seu livro “A anatomia do fascismo”, o autor Robert Paxton começa perguntando se o fascismo ainda é possível, se há a possibilidade de um Quarto Reich estar sendo gestado. Ele aponta que alguns estudiosos importantes afirmam que o período fascista terminou em 1945, entre os quais Ernst Nolte, que entende que embora o fascismo exista em épocas posteriores a 1945, ele foi despojado de qualquer significado real. Para o autor, a repugnância que o movimento fascista gerou após 1945 impediu o renascimento do fascismo clássico, afinal as fotografias dos campos de concentração chocavam a sociedade e a essa altura Mussolini já era motivo de chacota. Além disso, a prosperidade da economia mundial, a globalização, o triunfo do consumismo individual, entre outros fatores, apontavam que o fascismo dificilmente voltaria após 1945, pelo menos não da mesma forma.
Porém, preocupar-se com tal questão é de fato relevante, pois na década de 1990 teve uma serie de acontecimentos que colocaram em duvida o fim do fascismo, como a limpeza étnica nos Bálcãs, a disseminação da violência dos skinheads contra imigrantes na Inglaterra, na Alemanha e na Itália e etc. Assim, ocorreram uma serie de fatores que permitiu manter viva uma grande variedade de temas e de práticas da extrema direita.
Para o autor, o fato de acreditarmos ou não no retorno do fascismo depende do que entendemos por fascismo. Ele argumenta que os elementos definidores do fascismo clássico, como o gosto pela guerra ou a tendência à formação de uma sociedade baseada na exclusão violenta, não tem espaço no complexo contexto político do pós- guerra. Um fascismo “do futuro”, que seria uma reação de emergência a alguma crise ainda não imaginada, não necessariamente deveria ter semelhança perfeita com o fascismo clássico. Como exemplo, ele cita que um novo fascismo teria que demonizar algum inimigo externo ou interno, mas esse inimigo não seria o povo judeu. Um fascismo norte- americano seria religioso, anti- negros e anti- islâmico. Assim, um novo movimento fascista usaria símbolos novos, teria inimigos diferentes e até mesmo daria a si próprio um outro nome, o quê, porém, não o tornaria menos perigoso.
Para melhor entender se o movimento fascista ainda é possível, o autor estrutura o que seria estágios do movimento. O estágio 1, que corresponderia ao estágio da fundação, nos mostra que movimentos de extrema- direita com vínculo com o fascismo continuam ocorrendo de forma generalizada. Já no segundo estágio, quando esses movimentos se tornam enraizados nos sistemas políticos como atores importantes e representantes de interesses significativos, impõe-se testes históricos de um grau muito maior de exigência. Sendo assim, segundo o autor, o estágio 2 foi atingido apenas por movimentos e partidos de direita radicais, que fizeram o máximo para se “normalizar”, transformando-se apenas em partidos de aparência moderada. E nesse sentido, a Europa Ocidental, de 1945 até os dias atuais, é a região que apresenta o mais forte legado fascista, com maior proliferação desses partidos, sendo importante ressaltar que esse neofascismo saudosista não se limitou à Alemanha e à Itália.
BIBLIOGRAFIA
PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007. pp. 283-334.
domingo, 18 de maio de 2008
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