O autor Luis Milman em “Negacionismo: gênese e desenvolvimento do extermínio conceitual” aborda a gênese do trabalho dos negacionistas - por volta do início da década de 50 - e seu posterior desenvolvimento. O pioneiro foi Paul Rassinier do qual gerou outros autores como Robert Faurrison, Ernst Zundel, Arthur Butz, Jurgen Graff e Ahmed Rami. O historiador David Irving também tem sido incluído nesta lista. A maior parte dessa relação de nomes já esteve envolvida em diversos processos, que vão da calunia, racismo, injuria até a falsificação pura e simples de documentos para tentar embasar suas idéias. Em torno desses nomes ocorreu a construção das bases atuais da escola de postura negacionista - ou revisionista. Rassinier é o autor do primeiro livro desta escola; é portanto, um dos personagens chaves da mesma. O autor trata desta figura longamente e até certo ponto, densamente. Todavia não é nossa pretensão essa riqueza de detalhes informacionais. Sobre Faurisson, é válido ressaltar que ele “entra em cena” dez anos depois da morte de Rassinier tornando-se assim, o nome de maior expressão da postura a qual estamos tratando. David Irving, Arthur Butz e Roger Garaudy formam o grupo, juntamente com Faurisson, dos principais protagonistas da corrente mistificatória da qual Milman trata mas que também não vale ser aqui esmiuçada.
Milman afirma que o movimento negacionista e revisionista começa a partir do início dos anos 1950 e está intrinsecamente ligado ao anti-semitismo. Essas idéias de revisão da história bem como a negação do Holocausto passa, necessariamente, pelos adeptos do anti-semitismo, principalmente na Europa e nos EUA. Discutir o negacionismo é, assim, discutir o anti-semitismo. Para o autor, os negadores do Holocausto enquadram-se pela audácia de investirem na supressão de fatos relativamente recentes. Para isso, eles contam com uma metodologia cenográfica e aparentemente elaborada. Assim, Milman afirma que o Revisionismo é uma forma de expressão particularmente assustadora da naturalidade com que convivemos com o relativismo, o verbalismo vago e com uma demagogia pseudocientífica e nos mostra que idéias como estas ainda são recorrentes em nossa sociedade e muito presente em nossas vidas, uma vez que uma das principais características dos revisionistas ou neonazistas é acreditar que os crimes por eles cometidos foram necessários e fundamentais.
BIBLIOGRAFIA
MILMAN, Luis. “Negacionismo: gênese e desenvolvimento do extermínio conceitual.” In.: MILMAN, Luis & VÍZENTINI, Paulo Fagundes (org.). “Neonazismo, negacionismo e extremismo político.” Porto Alegre: UFRGS, 2000, pp. 115-154.
KRAUSE-VILMAR, D. “A negação dos assassinatos em massa do nacional-socialismo: desafios para a ciência e para a educação política” In: MILMAN, L.,VIZENTINI P. “Neonazismo, negacionismo e extremismo político”. Porto Alegre, Editora da Universidade, 2000.
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