O autor Díetfrid Krause-Vilmar em “A negação dos assassinatos em massa do nacional-socialismo: desafios para a ciência e para a educação política” aponta que a negação pública dos crimes nazistas – posteriormente chamada de Revisionismo, pois seus adeptos pretendiam revisar a história - não visava, de início, negar a matança em massa dos judeus, limitando-se a relativizar as declarações das testemunhas da época. Nas décadas seguintes, os pontos negados evoluíram respectivamente para : o número de pessoas assassinadas, as técnicas usadas no extermínio, documentos e figuras históricas que foram apresentados, os locais dos campos de morte, e a existência das câmaras de gás. De início, as confrontações jurídicas resultantes destas alegações foram bem recebidas pelos revisionistas, devido ao impacto que causavam na opinião pública,entretanto posteriormente passaram a ser evitadas, devido às condenações dos negadores.
Segundo o autor, existem diversos níveis de argumentação daqueles que negam a ocorrência dos extermínios em Auschwitz. Há alguns de refutação simples e fácil ao lado de hipóteses técnicas e químicas complexas.Embora tentem se passar por pesquisadores sérios, o método que utilizam não corresponde aos princípios científicos, gerando algumas objeções metodológicas, de acordo com o autor. A primeira objeção diz respeito ao tratamento tendencioso dado aos testemunhos das vítimas. A segunda é ligada à pretensa cientificidade com a qual a negação é defendida. A primeira vista, tem-se a impressão de pura ciência. Entretanto, visto mais de perto, o detalhismo se torna inverdade. A terceira objeção é feita em relação à descontextualização de documentos e fatos históricos. O contexto histórico-político é sempre excluído de quaisquer documentos e estudos. Já a quarta objeção surge do fato de que os revisionistas focam sua negação nos fatos ocorridos no campo de Auschwitz.
O autor defende ainda que o impacto causado pelos revisionistas é difícil de se avaliar e certamente não pode ser medido. Entretanto, uma coisa fica clara quando nos ocupamos mais de perto desses autores: seus objetivos não são genuinamente histórico- científicos. A linguagem usada pelos revisionistas é altamente marcada pelo ódio e pelo desprezo e repleta de expressões anti-semitas, contrapondo a linguagem sóbria e objetiva que deveria ser usada em trabalhos acadêmicos. Ou seja, uma linguagem altamente desaconselhada para um trabalho dessa importância.
Para finalizar, o autor aponta que mesmo com tantas provas da existência do Holocausto - como por exemplo os complexos de fontes conhecidos sobre os assassinatos cometidos nos campos como Auschwitz, Belzec e Treblinka e o fato de que existem fichas de trabalhadores civis em Auschwitz, documentos internos da SS, relatos de fugitivos dos campos e dados visíveis sobre a imensa capacidade dos crematórios de Birkenau – os negacionistas e revisionistas continuam seus “estudos”. Ele defende que temos a obrigação de refutar tal tolice, caso a mesma venha a obter alguma repercussão junto ao público e que devemos fazê-lo sempre com base em argumentos. Até porque os que negam os crimes em massa cometidos pelo nacional-socialismo, mesmo que sejam poucos, apresentam também “provas”, mesmo que sejam falsas. Então nesse sentido o autor diz que “Nada é mais cruel do que negar a perseguição, a humilhação e o sofrimento de um indivíduo ou de um grupo. Por isso, essa negação supera em crueldade a própria perseguição” (LISPTADT, 1994, p. 48 apud KRAUSE-VILMAR, 2000, p. 3)
BIBLIOGRAFIA
KRAUSE-VILMAR, D. “A negação dos assassinatos em massa do nacional-socialismo: desafios para a ciência e para a educação política” In: MILMAN, L.,VIZENTINI P. “Neonazismo, negacionismo e extremismo político”. Porto Alegre, Editora da Universidade, 2000.
BAUMAN, Zygmunt. “Modernidade e Holocausto” . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. pp. 106-141.
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