O objetivo do texto “A anatomia do fascismo” de Robert O. Paxton é propor uma outra maneira de encarar o fascismo, resgatando o seu conceito e explicando a sua complexa trajetória histórica. De acordo com o autor, devemos romper com a idéia de que apenas a imagem do ditador todo-poderoso personaliza o fascismo, pois cria a falsa impressão de que podemos compreendê-lo em sua totalidade examinando o líder, isoladamente. Essa é uma versão conveniente, pois ela oferece um álibi às nações que aprovaram e toleraram os líderes fascistas, pois desvia a atenção das pessoas, dos grupos e das instituições que lhes prestaram auxílio. O autor sugere assim um modelo mais sutil do fascismo, que examine as interações entre o Líder e a Nação, e entre o Partido e a sociedade civil.
O fascismo (que tem origem no “fascio” italiano, um feixe ou maço) recebeu seu nome e deu seus primeiros passos na Itália. Porém, movimentos semelhantes vinham surgindo na Europa do pós-guerra, independentes do fascismo de Mussolini, mas que expressavam a mesma mistura de nacionalismo, anti-capitalismo e violência ativa contra seus inimigos, que eram tanto os burgueses quanto socialistas. O programa fascista, segundo o autor, era “uma curiosa mistura de patriotismo de veteranos e de experimento social radical, uma espécie de nacional-socialismo”. O programa invocava por objetivos expansionistas nos Bálcãs e ao redor do Mediterrâneo, ao mesmo tempo que propunha o sufrágio feminino, o voto aos 18 anos, a jornada de trabalho de 8 horas, dentre outras coisas. O movimento de Mussolini ampliava-se ainda para atos violentos, de anti-intelectualismo e desprezo pela sociedade estabelecida, características que eram semelhantes aos três grupos que constituíam a massa de seus primeiros seguidores (veteranos de guerra desmobilizados, sindicalistas pró-guerra e intelectuais futuristas.
Outra característica importante do fascismo para o autor é sua essência anti capitalista e anti burguesa, pois eles atacavam o fascismo com quase a mesma veemência com que atacavam os socialistas. Ele aponta, porém, que quando os fascistas chegaram ao poder eles nada fizeram para cumprir essas ameaças anti capitalistas. Algumas correntes intelectuais (incluindo os marxistas) afirmavam que os fascistas vieram em socorro do capitalismo, dando sustentação, por meio de medidas emergenciais, ao sistema de distribuição da propriedade e de hierarquia social. Ao mesmo tempo em que denunciavam as finanças internacionais respeitavam as propriedades dos produtores nacionais. Para o autor, isso se dava porque o que o fascismo criticava no capitalismo não era sua exploração, mas sim seu materialismo e sua indiferença para com a nação.
O autor aponta ainda que não podemos tratar diferentes regimes como fenômenos separados, chamando o regime de Hitler de nazista, o de Mussolini de fascista e os demais movimentos com outros nomes. O que precisamos é de um termo genérico para o que é um fenômeno geral, e no caso do fascismo, foi a grande inovação do século 20, um movimento popular contra a esquerda e contra o individualismo liberal.
BIBLIOGRAFIA
PAXTON,Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo,Paz e Terra, 2007. Capítulo 1: p 13-49
quinta-feira, 3 de abril de 2008
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