No capítulo 8 de Anatomia do Fascismo Robert O. Paxton avalia as muitas interpretações do fascismo, como a de vê-lo simplesmente como um instrumento do capitalismo, o que segundo o autor seria um erro, pois reduz o fenômeno no resultado inevitável de alguma crise insuperável da superprodução capitalista. Algumas outras interpretações se juntaram a essa, como a explicação através da psicanálise. Procurava-se entender porque Mussolini era “comum” demais enquanto Hitler representava a “insanidade” com seu narcisismo e sua índole vingativa ao mesmo tempo que era capaz de ser encantador e fazer o povo o adorar. Mas a tentativa de se explicar o fascismo pela psicanálise não foi eficiente, principalmente pela inacessibilidade ao objeto. Outra teoria que também é facilmente contestada é a do freudiano Wilhelm Reich. Segundo ele, a violenta fraternidade masculina característica dos estágios iniciais do fascismo era produto da repressão sexual. Porém, sabe-se que a repressão sexual na Inglaterra era maior do que na Alemanha e na Itália. Com isso, a teoria se torna ineficiente.
Já o sociólogo Talcott Parsons, em 1942, explica o fascismo através do desenraizamento e das tensões provocadas por um desenvolvimento econômico e social desigual. Essa versão é muito próxima da marxista, que trata o fascismo como um sistema e como um produto da História.
Outras correntes de pensamentos vêem o fascismo como uma ditadura desenvolvimentista, estabelecida com o propósito de acelerar o crescimento industrial. Porém, também é possível se contra argumentar essa teoria, pois embora a economia italiana tenha crescido com Mussolini, ela cresceu mais rápido antes de 1914 e depois de 1945.
Apesar da enorme dificuldade de definir exatamente o que foi o fascismo e o que ele representou, o autor busca uma definição precisa do fenômeno. Para ele o fascismo tem que ser definido como uma política marcada pela obsessão com a decadência e humilhação da comunidade, vista como vítima, e pela formação de um partido de base popular, onde nacionalistas engajados repudiam as liberdades democráticas e que passam a pregar a limpeza étnica e a expansão externa por meio de uma violência redentora.
BIBLIOGRAFIA
PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
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